Diferença Lexical:
Ainda que o léxico brasileiro seja o mesmo que o do português europeu, existe uma série de peculiaridades que podem gerar confusão e desentendimentos entre os falantes das duas variantes. Há ainda as palavras que, apesar de estarem dicionarizadas em ambos os países (Brasil e Portugal), não são utilizadas por um ou por outro, gerando a mesma estranheza quando ouvidas ou lidas por um falante da outra variante.
Português do Brasil | Português europeu | Observações |
água-viva | alforreca, água-viva | o mesmo que medusa |
alho-poró ou alho-francês | alho-porro ou alho-francês | espécies de plantas da família Poaceae |
Brócolis | Brócolos | Embora raramente, brócolos também é falado no Brasil. |
Caqui | Dióspiro | coleópteros das famílias Elateridae, Fengodidae ou Lampyridae |
Grama | relva (tecnicamente, grama e relva são diferentes plantas) | espécies de plantas da família Poaceae |
vaga-lume, pirilampo | pirilampo, luzecu | o mesmo que medusa |
Aquarela | Aguarela |
Caminhão | Camião | |
Carona | Boleia | |
Carteira de motorista | Carta de condução | |
concreto | Botão | |
favela | Bairro de lata | |
Estrada de ferro/ferrovia | Caminho de ferro | |
Apontador de lápis | Apara lápis | |
madereira | Bebeirão |
nadadeira | Barabatanas | |
Ônibus | Auto-carro | |
bode | Eléctrico | |
fazenda | Quinta | |
boia-fria | assalariado rural | |
frentista | Gasolineiro | |
esporte | Desporto | |
goleiro | guarda-redes |
disco duro, HD, winchester | disco rígido | |
sistema operacional | sistema operativo | |
laptop, notebook | computador portátil | |
gerenciar gerenciamento | gerir gestão | |
aterissar aterrissagem | aterrar aterragem | |
dublar dublagem | dobrar dobragem | |
arquivo (de computador) | ficheiro (de computador) | |
sensoriamento remoto | detecção remota |
Outros exemplos:
Portugal – Brasil
A
Adesivo – Esparadrapo
Aerogare – Hangar
Agrafador – Grampeador
Alarde – Insulto
Alcatifa – Carpete
Algibeira – Bolso
Alcunha – Apelido
Almeida – Gari
Ameijoa – Marisco
Apelido – Sobrenome
Ardina – Jarro
Ardinas – Jornaleiro
Armazenista – Atacadista
Assoalhados – Cômodos
Autocarro – Ônibus
Autoclismo – Descarga (WC)
Adesivo – Esparadrapo
Aerogare – Hangar
Agrafador – Grampeador
Alarde – Insulto
Alcatifa – Carpete
Algibeira – Bolso
Alcunha – Apelido
Almeida – Gari
Ameijoa – Marisco
Apelido – Sobrenome
Ardina – Jarro
Ardinas – Jornaleiro
Armazenista – Atacadista
Assoalhados – Cômodos
Autocarro – Ônibus
Autoclismo – Descarga (WC)
B
Baliza Meta – Gol
Banheiro – Salva-vidas
Barco – Iate
Beira-mar – Orla
Berbequim – Furadeira
Berma – Acostamento
Bestial – Bárbaro
Betão armado – Concreto
Bibe aos quadrados – Avental xadrez
Bica – Cafezinho
Bicha – Fila
Bisnaga – Lança-perfume
Boleia – Carona
Borracho – Pombo
Borrego – Carneiro
Baliza Meta – Gol
Banheiro – Salva-vidas
Barco – Iate
Beira-mar – Orla
Berbequim – Furadeira
Berma – Acostamento
Bestial – Bárbaro
Betão armado – Concreto
Bibe aos quadrados – Avental xadrez
Bica – Cafezinho
Bicha – Fila
Bisnaga – Lança-perfume
Boleia – Carona
Borracho – Pombo
Borrego – Carneiro
C
Cadelinha – Marisco
Caixa de velocidade – Câmbio
Cambuta – Nanico
Camisa de noite – Camisola
Camisola – Malha
Canalizador – Encanador
Candeeiro – Abajur
Cântaro – Jarro
Casa de banho – Banheiro
Catita – Engraçada
Cave – Subsolo
Cerveja – Chope
Chávena – Xícara
Choque – Batida
Claque – Torcida
Coluna – Caixa acústica
Comboio – Trem
Cordel – Barbante
Cruzeta – Cabide
Cueca – Calcinha
Cadelinha – Marisco
Caixa de velocidade – Câmbio
Cambuta – Nanico
Camisa de noite – Camisola
Camisola – Malha
Canalizador – Encanador
Candeeiro – Abajur
Cântaro – Jarro
Casa de banho – Banheiro
Catita – Engraçada
Cave – Subsolo
Cerveja – Chope
Chávena – Xícara
Choque – Batida
Claque – Torcida
Coluna – Caixa acústica
Comboio – Trem
Cordel – Barbante
Cruzeta – Cabide
Cueca – Calcinha
D
Defesa – Zagueiro
Desenhador – Desenhista
Diospiro – Caqui
Dispistado – Distraído
Dose – Aperitivo
Defesa – Zagueiro
Desenhador – Desenhista
Diospiro – Caqui
Dispistado – Distraído
Dose – Aperitivo
E
Écran – Tela de cinema
Elas – Batatas fritas
Elétrico – Bonde
Empregado de mesa – Garçom
Encarnado – Vermelho
Entretanto – Naquele instante
Esferovite – Isopor
Esmoncar – Assoar o nariz
Esquadra de polícia – Delegacia
Estrafegar – Amassar
Écran – Tela de cinema
Elas – Batatas fritas
Elétrico – Bonde
Empregado de mesa – Garçom
Encarnado – Vermelho
Entretanto – Naquele instante
Esferovite – Isopor
Esmoncar – Assoar o nariz
Esquadra de polícia – Delegacia
Estrafegar – Amassar
F
Fábrica de açucar – Engenho
Fato – Terno
Femeeiro – Mulherengo
Fiambre – Presunto
Ficha – Tomada
Fino – Chope
Folhetim – Novela
Forreta – Pão duro
Frigorífico – Geladeira
Fábrica de açucar – Engenho
Fato – Terno
Femeeiro – Mulherengo
Fiambre – Presunto
Ficha – Tomada
Fino – Chope
Folhetim – Novela
Forreta – Pão duro
Frigorífico – Geladeira
G
Galão – Pingado
Garoto de recados – Office-boy
Gasosa – Refrigerante
Gira-discos – Toca-discos
Giro Legal – (gíria)
Guarda-fatos – Guarda-roupa
Guarda-redes – Goleiro
Galão – Pingado
Garoto de recados – Office-boy
Gasosa – Refrigerante
Gira-discos – Toca-discos
Giro Legal – (gíria)
Guarda-fatos – Guarda-roupa
Guarda-redes – Goleiro
H
Harpa – Fome
Havano – Charuto
Haveres – Bens
Historiola – Historieta
Harpa – Fome
Havano – Charuto
Haveres – Bens
Historiola – Historieta
I
Impedido – Ordenança
Imperial – Chope pequeno
Impedido – Ordenança
Imperial – Chope pequeno
J
Jaleco – Casaco curto
Justa – Camisa
Jaleco – Casaco curto
Justa – Camisa
L
Lençol de banho – Toalha
Linguareiro – Linguarudo
Lombo – Filet mignon
Lume brando – Fogo brando
Lençol de banho – Toalha
Linguareiro – Linguarudo
Lombo – Filet mignon
Lume brando – Fogo brando
M
Magalho – Barbante
Malta – Turma
Mão de vaca – Mocotó
Maples – Sofás
Miúdo – Criança
Mola de roupa – Pregador
Montra – Vitrina
Magalho – Barbante
Malta – Turma
Mão de vaca – Mocotó
Maples – Sofás
Miúdo – Criança
Mola de roupa – Pregador
Montra – Vitrina
N
Namoricar – Paquerar
Nigues – Nada
Nó – Laço
Namoricar – Paquerar
Nigues – Nada
Nó – Laço
O
Obreiro – Peão
Orar – Discursar
Obreiro – Peão
Orar – Discursar
P
Paneleiro – Bicha
Parqueamento – Estacionamento
Pastelaria – Doceria
Peão – Pedestre
Perceber – Morar
Peúgas – Meias
Pia – Sanitário
Pimento – Pimentão
Pinga Um – copo dágua
Pinha – Cuca
Ponta pé de baliza – Tiro de meta
Ponta é de canto – córner
Porreiro Bacana – ótimo
Prego – Churrasco
Prenda – Presente
Paneleiro – Bicha
Parqueamento – Estacionamento
Pastelaria – Doceria
Peão – Pedestre
Perceber – Morar
Peúgas – Meias
Pia – Sanitário
Pimento – Pimentão
Pinga Um – copo dágua
Pinha – Cuca
Ponta pé de baliza – Tiro de meta
Ponta é de canto – córner
Porreiro Bacana – ótimo
Prego – Churrasco
Prenda – Presente
Q
Quadro Ato – (teatro)
Queimadela – Queimadura
Quinta – Sítio e fazenda
Quadro Ato – (teatro)
Queimadela – Queimadura
Quinta – Sítio e fazenda
R
Rapariga – Moça
Rebuçado – Bala
Renda – Aluguel
Resolver um problema – Quebrar o galho
Retalho – Varejo
Retrete – Privada
Romagem – Romaria
Rapariga – Moça
Rebuçado – Bala
Renda – Aluguel
Resolver um problema – Quebrar o galho
Retalho – Varejo
Retrete – Privada
Romagem – Romaria
S
Saiote – Anágua
Sarrilhos – Encrenca
Secretária – Escrivaninha
Sítio – Lugar
Sobretudo – Japona
Saiote – Anágua
Sarrilhos – Encrenca
Secretária – Escrivaninha
Sítio – Lugar
Sobretudo – Japona
T
Talho – Açougue
Tarte – Torta
Travão – Freio
Trepassa-se – Passa-se o ponto
Talho – Açougue
Tarte – Torta
Travão – Freio
Trepassa-se – Passa-se o ponto
U
Ula-ula – Correria
Urinol – Banheiro público
Ula-ula – Correria
Urinol – Banheiro público
V
Venda a retalho – Varejo
Ventoinha – Ventilador
Verniz – Esmalte
Vivenda – Sobrado
Venda a retalho – Varejo
Ventoinha – Ventilador
Verniz – Esmalte
Vivenda – Sobrado
X
Xaveco – Velharia
Xexé Biruta
Xaveco – Velharia
Xexé Biruta
Z
Zagaio – Nariz
Zambaio – Vesgo
Zaragata – Desordem
Zaré – Bêbado
Zina – Clímax
Zuco – Tolo
Zagaio – Nariz
Zambaio – Vesgo
Zaragata – Desordem
Zaré – Bêbado
Zina – Clímax
Zuco – Tolo
O ponto central da diferença sintética está no sistema pronominal, tanto na posição de sujeito, como de complemento, com reflexos inevitáveis nos possessivos e no paradigma das flexões número-pessoais do verbo. No Brasil, com a expansão do “você” e do “a gente” como pronomes pessoais e com a redução do uso do tu e do vós, a 3ª Pessoa verbal se generaliza: temos hoje em convivência, no Brasil, um paradigma verbal de quatro posições:
Eu falo | ele, você, a gente fala | nós falamos | eles, vocês falam;
Outro de três posições,
Eu falo | ele, você, a gente fala | eles falam;
Outro de duas posições, dos menos escolarizados, ou não escolarizados, sobretudo de áreas rurais, mas não só, que não aplicam a regra de concordância verbo-nominal,
Eu falo | ele, você, a gente, eles, vocês fala.
Em algumas áreas geo dialetais (variação por terras) brasileiras, usa-se o tu, na fala corrente com o verbo na 3.ª pessoa (tu fala) e, em reduzidas áreas (talvez a mais forte seja o litoral catarinense e no sul do Rio grande do sul), ao tu ainda se segue a flexão histórica (tu falas). Quanto mais é reduzido o paradigma flexional número-pessoal do verbo, mais necessário se faz o preenchimento do sujeito pronominal, perdendo assim o Português Brasileiro o chamado parâmetro pro-drop, possível no Português Europeu, em que essas reduções não ocorrem tal como no Português Brasileiro. O uso extensivo de você, em lugar de tu, cria no Português Brasileiro uma ambiguidade para o seu, possessivo que pode referir-se ao interlocutor ou não, ambiguidade desfeita no discurso (- Comprei seu livro ontem ou Zélia Gattai escreveu um novo romance, seu livro está sendo muito vendido). Ou também desfeita, estruturalmente, pelo dele, que passa a adquirir a condição de pronome possessivo (Jorge Amando escreveu um novo romance, o livro dele está sendo muito vendido). Quanto aos pronomes complementos clíticos, sobretudo os de terceira pessoa – o, a, os, as – estão sendo eliminados no Português Brasileiro, preferindo-se, em seu lugar, ou o sintagma nominal pleno ou, embora estigmatizado pelos altamente escolarizados, o pronome sujeito correspondente, o chamado ele acusativo ou ainda o apagamento do pronome complemento, estratégia de esquiva muito frequente (- Seu marido estava no Shopping. Eu vi seu filho lá ou ...eu vi ele lá ou ...eu vi lá). O apagamento do objeto direto pronominal clítico é corrente no Português Brasileiro, movimento inverso ao preenchimento do sujeito. Ainda quanto aos pronomes complementos clíticos, ressalta o lhe, originalmente um dativo, correspondente ao objeto indireto, usado como acusativo, objeto direto, correlacionado ao pronome sujeito você (- Você gosta muito de cinema. Eu lhe vejo sempre no Multiplex). O lhe acusativo varia com te, mesmo sendo o tratamento você (- Você gosta de cinema. Eu te vejo sempre no Multiplex). Nos exemplos dados, o clítico canônico – o/a – pode ocorrer no uso cuidado, monitorado, de escolarizados; ele é adquirido na escola e, curiosamente, primeiro na escrita e depois na fala, o que mostra ser um recurso sintático, efeito de aprendizagem pela escolarização, e não adquirido naturalmente na infância. Ainda sobre os clíticos e aí, não só os de 3.ª pessoa, nós, brasileiros, quando os usamos, preferimos a próclise (O fenômeno fonético de anteposição duma palavra átona a outra que o não é, subordinando-se aquela ao acento desta). A ênclise é hoje mal aprendida na escola, tanto que, cada vez mais, encontramos em textos de estudantes e em outros, como os jornalísticos, a ênclise nas posições em que, historicamente, sempre se usou a próclise, como nas orações subordinadas e nas negativas (O vestido que dei-lhe de presente ficou bom; Eu não disse-lhe que viesse!). Há ainda aceitação normal e generalizada dos clíticos na primeira posição da sentença, exceto os acusativos o, a, os, as (- Lhe disse que não viesse; - Me passe esse livro). Ainda quanto ao sistema pronominal, no que se refere aos relativos, utilizamos frequentemente o pronome lembrete (o professor que eu estudei inglês com ele voltou), em desaproveito da estrutura canônica (o professor com quem eu estudei inglês voltou).
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