domingo, 27 de novembro de 2011

Comparação do português falado nos países com o português europeu. Destacados os níveis lexical e sintático;

Diferença Lexical:




Ainda que o léxico brasileiro seja o mesmo que o do português europeu, existe uma série de peculiaridades que podem gerar confusão e desentendimentos entre os falantes das duas variantes. Há ainda as palavras que, apesar de estarem dicionarizadas em ambos os países (Brasil e Portugal), não são utilizadas por um ou por outro, gerando a mesma estranheza quando ouvidas ou lidas por um falante da outra variante.

Português do Brasil
Português europeu
Observações
água-viva
alforreca, água-viva
o mesmo que medusa
alho-poró ou alho-francês
alho-porro ou alho-francês
espécies de plantas da família Poaceae
Brócolis
Brócolos
Embora raramente, brócolos também é falado no Brasil.
Caqui
Dióspiro
coleópteros das famílias Elateridae, Fengodidae ou Lampyridae
Grama
relva
(tecnicamente, grama e relva
são diferentes plantas)
espécies de plantas da família Poaceae
vaga-lume, pirilampo
pirilampo, luzecu
o mesmo que medusa
Aquarela
Aguarela


Caminhão
Camião

Carona
Boleia

Carteira de motorista
Carta de condução

concreto
Botão

favela
Bairro de lata

Estrada de ferro/ferrovia
Caminho de ferro

Apontador de lápis
Apara lápis

madereira
Bebeirão


nadadeira
Barabatanas

Ônibus
Auto-carro

bode
Eléctrico

fazenda
Quinta

boia-fria
assalariado rural

frentista
Gasolineiro

esporte
Desporto

goleiro
guarda-redes


disco duro, HD, winchester
disco rígido

sistema operacional
sistema operativo

laptop, notebook
computador portátil

gerenciar
gerenciamento
gerir
gestão

aterissar
aterrissagem
aterrar
aterragem

dublar
dublagem
dobrar
dobragem

arquivo (de computador)
ficheiro (de computador)

sensoriamento remoto
detecção remota


Outros exemplos:
Portugal – Brasil
A
Adesivo – Esparadrapo
Aerogare – Hangar
Agrafador – Grampeador
Alarde – Insulto
Alcatifa – Carpete
Algibeira – Bolso
Alcunha – Apelido
Almeida – Gari
Ameijoa – Marisco
Apelido – Sobrenome
Ardina – Jarro
Ardinas – Jornaleiro
Armazenista – Atacadista
Assoalhados – Cômodos
Autocarro – Ônibus
Autoclismo – Descarga (WC)

B
Baliza Meta – Gol
Banheiro – Salva-vidas
Barco – Iate
Beira-mar – Orla
Berbequim – Furadeira
Berma – Acostamento
Bestial – Bárbaro
Betão armado – Concreto
Bibe aos quadrados – Avental xadrez
Bica – Cafezinho
Bicha – Fila
Bisnaga – Lança-perfume
Boleia – Carona
Borracho – Pombo
Borrego – Carneiro

C
Cadelinha – Marisco
Caixa de velocidade – Câmbio
Cambuta – Nanico
Camisa de noite – Camisola
Camisola – Malha
Canalizador – Encanador
Candeeiro – Abajur
Cântaro – Jarro
Casa de banho – Banheiro
Catita – Engraçada
Cave – Subsolo
Cerveja – Chope
Chávena – Xícara
Choque – Batida
Claque – Torcida
Coluna – Caixa acústica
Comboio – Trem
Cordel – Barbante
Cruzeta – Cabide
Cueca – Calcinha

D
Defesa – Zagueiro
Desenhador – Desenhista
Diospiro – Caqui
Dispistado – Distraído
Dose – Aperitivo

E
Écran – Tela de cinema
Elas – Batatas fritas
Elétrico – Bonde
Empregado de mesa – Garçom
Encarnado – Vermelho
Entretanto – Naquele instante
Esferovite – Isopor
Esmoncar – Assoar o nariz
Esquadra de polícia – Delegacia
Estrafegar – Amassar

F
Fábrica de açucar – Engenho
Fato – Terno
Femeeiro – Mulherengo
Fiambre – Presunto
Ficha – Tomada
Fino – Chope
Folhetim – Novela
Forreta – Pão duro
Frigorífico – Geladeira

G
Galão – Pingado
Garoto de recados – Office-boy
Gasosa – Refrigerante
Gira-discos – Toca-discos
Giro Legal – (gíria)
Guarda-fatos – Guarda-roupa
Guarda-redes – Goleiro

H
Harpa – Fome
Havano – Charuto
Haveres – Bens
Historiola – Historieta

I
Impedido – Ordenança
Imperial – Chope pequeno

J
Jaleco – Casaco curto
Justa – Camisa

L
Lençol de banho – Toalha
Linguareiro – Linguarudo
Lombo – Filet mignon
Lume brando – Fogo brando

M
Magalho – Barbante
Malta – Turma
Mão de vaca – Mocotó
Maples – Sofás
Miúdo – Criança
Mola de roupa – Pregador
Montra – Vitrina

N
Namoricar – Paquerar
Nigues – Nada
Nó – Laço

O
Obreiro – Peão
Orar – Discursar

P
Paneleiro – Bicha
Parqueamento – Estacionamento
Pastelaria – Doceria
Peão – Pedestre
Perceber – Morar
Peúgas – Meias
Pia – Sanitário
Pimento – Pimentão
Pinga Um – copo dágua
Pinha – Cuca
Ponta pé de baliza – Tiro de meta
Ponta é de canto – córner
Porreiro Bacana – ótimo
Prego – Churrasco
Prenda – Presente

Q
Quadro Ato – (teatro)
Queimadela – Queimadura
Quinta – Sítio e fazenda

R
Rapariga – Moça
Rebuçado – Bala
Renda – Aluguel
Resolver um problema – Quebrar o galho
Retalho – Varejo
Retrete – Privada
Romagem – Romaria

S
Saiote – Anágua
Sarrilhos – Encrenca
Secretária – Escrivaninha
Sítio – Lugar
Sobretudo – Japona

T
Talho – Açougue
Tarte – Torta
Travão – Freio
Trepassa-se – Passa-se o ponto

U
Ula-ula – Correria
Urinol – Banheiro público

V
Venda a retalho – Varejo
Ventoinha – Ventilador
Verniz – Esmalte
Vivenda – Sobrado

X
Xaveco – Velharia
Xexé Biruta

Z
Zagaio – Nariz
Zambaio – Vesgo
Zaragata – Desordem
Zaré – Bêbado
Zina – Clímax
Zuco – Tolo

Diferença Sintática

O ponto central da diferença sintética está no sistema pronominal, tanto na posição de sujeito, como de complemento, com reflexos inevitáveis nos possessivos e no paradigma das flexões número-pessoais do verbo. No Brasil, com a expansão do “você” e do “a gente” como pronomes pessoais e com a redução do uso do tu e do vós, a 3ª  Pessoa verbal se generaliza: temos hoje em convivência, no Brasil, um paradigma verbal de quatro posições:

Eu falo | ele, você, a gente fala | nós falamos | eles, vocês falam;
Outro de três posições,
Eu falo | ele, você, a gente fala | eles falam;
Outro de duas posições, dos menos escolarizados, ou não escolarizados, sobretudo de áreas rurais, mas não só, que não aplicam a regra de concordância verbo-nominal,
Eu falo | ele, você, a gente, eles, vocês fala.
Em algumas áreas geo dialetais (variação por terras) brasileiras, usa-se o tu, na fala corrente com o verbo na 3.ª pessoa (tu fala) e, em reduzidas áreas (talvez a mais forte seja o litoral catarinense e no sul do Rio grande do sul), ao tu ainda se segue a flexão histórica (tu falas). Quanto mais é reduzido o paradigma flexional número-pessoal do verbo, mais necessário se faz o preenchimento do sujeito pronominal, perdendo assim o Português Brasileiro o chamado parâmetro pro-drop, possível no Português Europeu, em que essas reduções não ocorrem tal como no Português Brasileiro. O uso extensivo de você, em lugar de tu, cria no Português Brasileiro uma ambiguidade para o seu, possessivo que pode referir-se ao interlocutor ou não, ambiguidade desfeita no discurso (- Comprei seu livro ontem ou Zélia Gattai escreveu um novo romance, seu livro está sendo muito vendido). Ou também desfeita, estruturalmente, pelo dele, que passa a adquirir a condição de pronome possessivo (Jorge Amando escreveu um novo romance, o livro dele está sendo muito vendido). Quanto aos pronomes complementos clíticos, sobretudo os de terceira pessoa – o, a, os, as – estão sendo eliminados no Português Brasileiro, preferindo-se, em seu lugar, ou o sintagma nominal pleno ou, embora estigmatizado pelos altamente escolarizados, o pronome sujeito correspondente, o chamado ele acusativo ou ainda o apagamento do pronome complemento, estratégia de esquiva muito frequente (- Seu marido estava no Shopping. Eu vi seu filho lá ou ...eu vi ele lá ou ...eu vi lá). O apagamento do objeto direto pronominal clítico é corrente no Português Brasileiro, movimento inverso ao preenchimento do sujeito. Ainda quanto aos pronomes complementos clíticos, ressalta o lhe, originalmente um dativo, correspondente ao objeto indireto, usado como acusativo, objeto direto, correlacionado ao pronome sujeito você (- Você gosta muito de cinema. Eu lhe vejo sempre no Multiplex). O lhe acusativo varia com te, mesmo sendo o tratamento você (- Você gosta de cinema. Eu te vejo sempre no Multiplex). Nos exemplos dados, o clítico canônico – o/a – pode ocorrer no uso cuidado, monitorado, de escolarizados; ele é adquirido na escola e, curiosamente, primeiro na escrita e depois na fala, o que mostra ser um recurso sintático, efeito de aprendizagem pela escolarização, e não adquirido naturalmente na infância. Ainda sobre os clíticos e aí, não só os de 3.ª pessoa, nós, brasileiros, quando os usamos, preferimos a próclise (O fenômeno fonético de anteposição duma palavra átona a outra que o não é, subordinando-se aquela ao acento desta). A ênclise é hoje mal aprendida na escola, tanto que, cada vez mais, encontramos em textos de estudantes e em outros, como os jornalísticos, a ênclise nas posições em que, historicamente, sempre se usou a próclise, como nas orações subordinadas e nas negativas (O vestido que dei-lhe de presente ficou bom; Eu não disse-lhe que viesse!). Há ainda aceitação normal e generalizada dos clíticos na primeira posição da sentença, exceto os acusativos o, a, os, as (- Lhe disse que não viesse; - Me passe esse livro). Ainda quanto ao sistema pronominal, no que se refere aos relativos, utilizamos frequentemente o pronome lembrete (o professor que eu estudei inglês com ele voltou), em desaproveito da estrutura canônica (o professor com quem eu estudei inglês voltou).





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